sexta-feira, 31 de Outubro de 2014 | By: Albicastelhano

Video V


quinta-feira, 30 de Outubro de 2014 | By: Albicastelhano

Castelo Branco Antigo XL|


quarta-feira, 29 de Outubro de 2014 | By: Albicastelhano

Diabo



Ontem tive a triste notícia que despareceu este grande Homem, de seu nome Joaquim Casimiro da Silva mas conhecido na cidade como o Diabo.
Muitas vezes nos encontramos na Tasca do Zé.
Muitas vezes ouvia as suas mirabolantes histórias de vida que me fazia rir e perceber o quanto já tinha passado, do seu filho em Barcelona do amor pela sua arte.
Muitas vezes ouvi da sua boca mais ou menos por estas palavras : "Somos nós que começamos o vício somos nós que acabamos com ele"
Que descanse em Paz este Diabo de Bom Coração


Fonte da foto:https://www.facebook.com/576381582391799/photos/a.589675917729032.1073741825.576381582391799/933018960061391/?type=1&theater
terça-feira, 28 de Outubro de 2014 | By: Albicastelhano
domingo, 26 de Outubro de 2014 | By: Albicastelhano

Castelo de Castelo Branco (1979–1984 e 2000): síntese dos trabalhos arqueológicos desenvolvidos e principais conclusões |||

3. Espólio

Durante os trabalhos arqueológicos decorridos na alcáçova albicastrense (1979/84 e 2000) foi
recolhido numeroso e diversificado conjunto de materiais. Além das usuais cerâmicas (fosca,
vidrada e esmaltada), foram recuperados objectos metálicos, em osso, vidro, azeviche e cabedal,
juntamente com numismas, estelas funerárias e restos de fauna mamalógica.
Pretende‑se
com este trabalho apresentar os dados mais relevantes deste conjunto, que foi analisado
do ponto de vista formal, tendo em conta outros recuperados em diversos arqueosítios do país
já estudados e através de documentação iconográfica contemporânea existente. Esta situação deve‑se
ao facto de nos trabalhos dos anos 80 não terem sido registados todos os dados referentes à estratigrafia
e os materiais recuperados em 2000 resultarem de uma recolha após o desaterro do local.
Independentemente de ter sido utilizado o crivo nos trabalhos dos anos 80, não foi guardado
qualquer fragmento de parede não decorado de cerâmica fosca. O mesmo sucedeu com grande
parte das cerâmicas vidradas e esmaltadas.

3.1. Cerâmica

Apesar da peça mais antiga analisada ser um bico fundeiro de uma variante de Almagro 51c
(n.º 1), cuja datação poderá oscilar entre os séculos III–IV, não foram identificados quaisquer outros
materiais desde essa cronologia até ao período correspondente à Reconquista Cristã. Dessa época
destacam‑se
duas peças (n.os 2–3) cuja decoração a engobe branco encontra semelhanças na de
outras recuperadas em níveis tardios almóadas de Lisboa (Gomes & alli, 2001, p. 140, n.º 25) e Santarém
(Viegas e Arruda, 1999, p. 121, fig. 8). Foram identificados paralelos para panelas, de bordo
alto, pouco introvertido ou espessado exteriormente (n.os 4–6), também em contextos daquela
cidade ribatejana (Viegas & Arruda, 1999, p. 152, fig. 11, n.os 8 e 11; Mendes, Pimenta & Valongo,
2002, p. 272, Est. 4.15; Trindade & Diogo, 2003, p. 149, fig. 5, n.os 7, 8 e 10), tal como de Torres
Vedras (Cardoso & Luna, 2002, p. 10, fig. 7) e do Cadaval (Cardoso, 2007, p. 36, fig. 21.7). Estes dois
últimos exemplos correspondem a contextos associados a comunidades moçárabes.
Em grande quantidade foram encontrados contentores de líquidos, como o caso de um bordo
de cântaro (n.º 9) idêntico a outros recolhidos em contextos almóadas tardios de Silves (Gomes &
Gomes, 2001, p. 95, n.º 124) e de Santarém (Mendes, Pimenta & Valongo, 2002, p. 269, Est. 2.8;
Trindade & Diogo, 2003, p. 150, fig. 6.26). Existem do mesmo modo fragmentos de grandes talhas
(n.º 10), por vezes decorados com cordões plásticos digitados. São peças que encontram afinidade
em outras exumadas na região, como os exemplares de Castelo Novo (Silvério & Barros, 2005,
p. 165, fig. 59) ou Penamacor (Silvério, Barros & Teixeira, 2004, p. 523, fig. 26).





A partir dos finais do século XV, mas principalmente ao longo do XVI, verifica‑se,
na loiça de
mesa, uma maior presença de taças e pratos, embora apresentem então um menor diâmetro, numa
clara individualização do uso das peças, como medida profilática. É o caso das taças (n.os 27–28) e
dos pratos (n.os 29–30), normalmente brunidos no interior. Ambas as formas mostram similaridade
com outras recuperadas em Penamacor (Boavida, 2006, pp. 73, 83, n.os 9, 24–25), mas também em
Castelo Novo, no caso das taças (Silvério & Barros, 2005, p. 122, fig. 35) e em Évora, no dos pratos
(Teichner, 1998, p. 28, fig. 12.7). Surgem igualmente os púcaros de beber, com paredes finas, por
vezes com as superfícies decoradas em relevo ou simplesmente brunidas (n.os 31–33), idênticos aos
encontrados em Lisboa (Ramalho & Folgado, 2002; Gomes & Gomes, 2007, pp. 78, 85, figs. 4–5;
Santos, 2008; Etchevarne & Sardinha, 2007), Cascais (Cardoso & Rodrigues, 2002, Est. 4 e 6) e Santarém
(Folgado e Ramalho, 2000).
Dentro das loiças de cozinha predominam as panelas. Uma vez que não subsiste nenhum
exemplar com o perfil completo, só é possível definir tipologias através do perfil dos bordos (subtriangulares,
sub‑rectangulares
e semicirculares; n.os 11–13), embora essas ligeiras variações possam
ser apenas reflexo do gosto dos oleiros ao levantarem as peças na roda. Datadas dos séculos
XV–XVI, foram identificadas formas similares a estas em Castelo Novo (Silvério & Barros, 2005,
pp. 151 e 153, figs. 50–51), Penamacor (Silvério, Barros & Teixeira, 2004, p. 529, fig. 21) e em diversos
locais da região de Lisboa (Gaspar & Amaro, 1997, p. 342, Est. 5.6; Diogo & Trindade, 2000,
p. 231, fig. 10, n.º 53; Trindade & Diogo, 2001, p. 203, n.º 1; Cabral, Cardoso & Encarnação, 2009,
p. 238, n.os 25–26; Gonçalves & Amaro, 2002, p. 483, fig. II.2). Foram recuperados também uma
frigideira e um tacho (n.os 15–16). A primeira é idêntica a outra igualmente recuperada em Castelo
Novo (Silvério & Barros, 2005, p. 116, fig. 31), enquanto o último é parecido a outros recolhidos
em Almada (Sabrosa & Espírito Santo, 1992, p. 7, fig. 9; Sabrosa, 1994, p. 42, n.º 17), Lisboa (Gaspar
& Amaro, 1997, p. 345, Est. 8.4), Loures (Silva & Deus, 1999, p. 43, fig. 7, n.os 25–26) e Palmela
(Fernandes & Carvalho, 1997, p. 231, fig. 11).
No que diz respeito às peças de armazenamento e/ou transporte de líquidos a situação
mantém‑se,
apesar de o número de bilhas aumentar. Verifica‑se
uma grande diversidade ao nível
dos bordos destas (n.os 17–18). Do ponto de vista da conservação de alimentos sólidos a situação
altera‑se
totalmente, uma vez que as talhas desaparecem, dando exclusivamente lugar aos potes.
Tal facto pode dever‑se
a uma utilização mais frequente do celeiro da Ordem de Cristo entretanto
construído na parte baixa da vila (Boavida, 2009, p. 61). Um dos potes (n.º 21) mostra bordo
como os encontrados em níveis dos séculos XVI–XVII de Almada (Sabrosa & Espírito Santo,
1992, p. 9, n.º 2) e Cascais (Cabral, Cardoso & Encarnação, 2009, p. 237, n.º 18). Foram recolhidas
diversas formas de tampas e testos, algumas delas com pitorra ou espessamento exterior do
bordo (n.os 25–26), idênticas a outras identificadas em contextos quinhentistas de Almada
(Sabrosa & Espírito Santo, 1992, pp. 6, 9, n.os 3 e 19; Sabrosa & Santos, 1993, p. 177, n.os 10–11;
Sabrosa, 1994, p. 40, n.os 1 e 4), Cascais (Cardoso & Rodrigues, 1991, p. 584, prancha 4, n.º 47;
Cardoso & Rodrigues, 1999, p. 199, n.os 2 a 5), Palmela (Fernandes & Carvalho, 1997, p. 287, figs.
11–13), Silves (Gomes, Gomes & Cardoso, 1996, p. 41, fig. 7, n.º 15) e Castelo Novo (Silvério &
Barros, 2005, p. 173, fig. 65).
Cerca de três quartos do espólio analisado foi exposto a cozeduras oxidantes, tendo a maioria
do remanescente sido alvo de cozedura parcialmente oxidante. Estas peças mostram pastas de tons
vermelhos, laranjas e castanhos, produzidas a partir de barros vermelhos. Aquelas são normalmente
homogéneas, com elementos não plásticos de grão fino a médio, onde se destacam o feldspato, o
quartzo hialino e o leitoso, a biotite e a moscovite, sendo a hematite, a calcite, o calcário, os nódulos
de barro e outros tipos de quartzo muito residuais.

Embora em número reduzido e muito fragmentado, o grupo das peças esmaltadas e/ou vidradas,
abrange uma alargada baliza cronológica que se estende desde o século XIV aos meados do
século XIX. Este é constituído, essencialmente, por taças e pratos esmaltados a branco estanhífero,
que nalguns casos mostram decoração a azul de cobalto, por vezes combinado com negro ou roxo
de manganês. Algumas dessas peças são evidência das trocas comerciais existentes ao nível transfronteiriço,
como as que apresentam bandas concêntricas a azul ou intercaladas a roxo (n.os 44 e 46),
típicas das produções sevilhanas e valencianas dos séculos XV–XVI e idênticas às encontradas em
Silves (Gomes & Gomes, 1996, p. 173, fig. 26), no Funchal (Gomes & Gomes, 1998, p. 339, fig. 17),
em Penamacor (Boavida, 2006, p. 119, n.os 69–70) e em Cascais (Cabral, Cardoso & Encarnação,
2009, p. 208). Da mesma época, ou um pouco mais tardias, serão as esmaltadas a branco, que poderão
ser também, nalguns casos de proveniência castelhana (n.os 34–36 e 41–42).
No final do século XVI, mas principalmente no século XVII, com o aumento da produção de
faiança portuguesa, surgem motivos decorativos como as espirais, os aranhões ou as contas, entre
outros (n.os 37–40, 45 e 47), que poderão ou não combinar óxidos de cobalto e manganês. São
peças que surgem em contextos desse período, até aos meados do século XVIII, eventualmente até
ao XIX, em Vila Viçosa (Nolen, 2004, p. 30, n.º 3), Palmela (Fernandes & Carvalho, 1998, p. 254,
n.º 198), Sortelha (Osório, 2008, p. 175, n.º 275), Porto (Real & alii, 1995, p. 184, fig. 14), Cadaval
(Cardoso, 2009, pp. 58, 60, figs. 39 e 45) e Vialonga (Lopes, 1998, p. 332, n.º 5). Dessa última centúria
também foram exumados restos de peças de produção nacional, em particular das fábricas
Lusitânia e Sacavém.
Na cerâmica vidrada, muito escassa, destaca‑se
um bordo de alguidar vidrado a verde plumbífero
(n.º 51). É uma forma comum desde os séculos XV–XVI praticamente até à actualidade.
Existe ainda um pequeno conjunto de restos de cerâmica de revestimento, do qual fazem
parte diversos fragmentos de azulejos de padrão, esmaltados a branco e decorados a azul de
cobalto e amarelo de antimónio (n.os 49–50). O padrão identificado (P‑482),
de acordo com Santos
Simões, será do século XVIII (Simões, 1971, p. 83). Foi também recolhido um fragmento de
um azulejo de aresta (n.º 48), tipo hispano‑árabe,
provavelmente produzido em Sevilha por volta
do século XVI, semelhante aos recuperados em Torres Vedras (Luna & Cardoso, 2006, p. 105,
n.º 22), em Cascais (Cabral, Cardoso & Encarnação, 2009, p. 215) e na Sortelha (Osório, 2008,
p. 168, n.º 251).
Estas cerâmicas esmaltadas e vidradas apresentam pastas de tom bege, rosa ou branco, salvo
raras excepções, obtidas da mistura de barro branco com pequenas percentagens de barro vermelho,
uma vez que o óxido de ferro presente neste último dá maior resistência às peças durante a sua cozedura,
neste caso, maioritariamente oxidante. São pastas muito homogéneas e depuradas, com elementos
não plásticos de grão fino a muito fino, nalguns casos quase imperceptíveis, em particular
nas peças que se considera serem importadas.
sábado, 25 de Outubro de 2014 | By: Albicastelhano